Cientista afirmam estudo clássico da teoria da evolução está errado

Evolução sexual

Um estudo clássico na biologia evolutiva, realizado mais de 60 anos atrás, afirmava que os machos são mais promíscuos e as fêmeas mais exigentes na escolha de parceiros.

Este é um dos fundamentos da chamada seleção sexual, e é conhecido pelos estudiosos como Princípio de Bateman.

Agora, cientistas da Universidade da Califórnia de Los Angeles, afirmam que o estudo do geneticista inglês Angus John Bateman está errado, e nem mesmo poderia ter sido publicado.

E a conclusão veio depois de algo aparentemente básico em ciência: Patricia Adair Gowaty e seus colegas simplesmente repetiram o experimento de Bateman – e encontraram os erros.

Segundo Patricia, esta é a primeira vez que alguém repete a experiência histórica com os mesmos métodos que o original.

Estudo clássico da teoria da evolução está errado
Este gráfico mostra que os filhotes de moscas-da-fruta com diferentes mutações têm uma chance igual de herdar apenas uma mutação da mãe, apenas uma mutação do pai, as duas, ou nenhuma delas. [Imagem: Kim DeRose]

Princípio de Bateman

Em 1948, o geneticista John Angus Bateman publicou um estudo mostrando que os machos da mosca-da-fruta obtêm uma vantagem evolutiva de ter múltiplas companheiras, enquanto os seus homólogos do sexo feminino não obtêm essa vantagem.

Ou seja, os machos seriam promíscuos, e as fêmeas seriam exigentes e seletivas, preferindo poucos parceiros.

“O estudo de Bateman é o artigo experimental sobre seleção sexual mais citado hoje por causa de suas conclusões sobre como o número de companheiros influencia a aptidão física em machos e fêmeas,” explica Patricia.

“Ainda assim, apesar de sua importância, até agora o experimento nunca havia sido repetido com os métodos que Bateman utilizou originalmente.

“Nossa equipe repetiu o experimento de Bateman e descobriu que o que alguns aceitaram como alicerce [da biologia evolutiva] pode realmente ser areia movediça. Possivelmente o artigo de Bateman nunca deveria ter sido publicado,” disse ela.

O novo artigo, com a repetição do experimento, desmentindo as conclusões de Bateman, foi publicado na última edição da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences com o título “No evidence of sexual selection in a repetition of Bateman’s classic study of Drosophila melanogaster“.

Mutações genéticas extremas

O experimento original com moscas-da-fruta (Drosophila melanogaster) foi realizado com a criação de múltiplas populações isoladas.

Os insetos acasalaram livremente, e Bateman examinou os filhotes gerados até a vida adulta.

Para contar o número de filhos que chegavam à vida adulta, gerados por cada um dos insetos originais, Bateman precisava de uma maneira confiável para combinar os pais com os filhos.

Hoje em dia, os geneticistas modernos usariam evidências moleculares para determinar o parentesco genético de cada filho, mas as análises de DNA não estavam disponíveis em 1948.

Em vez disso, Bateman escolheu seus espécimes iniciais cuidadosamente, selecionando moscas que apresentavam mutações únicas e visíveis, que poderiam ser transferidas de pai para filho, explica Patricia.

As mutações eram extremas. Algumas das moscas tinham asas onduladas, outras tinham cerdas grossas, e outras ainda tinham os olhos reduzidos a fendas estreitas.

As diferenças exteriores de cada sujeito permitiram a Bateman reverter o processo, determinando o parentesco da prole e associando cada filho com os insetos originais.

Um filhote com asas onduladas e cerdas grossas, por exemplo, só poderia ter vindo do cruzamento dos dois pais que apresentavam tais deformidades.

Estudo clássico da teoria da evolução está errado
Hoje já se sabe também que a herança não-genética pode ser mais frequente que herança pelo DNA. [Imagem: Diário da Saúde/Emijrp]

Falha fatal

No entanto, o método de Bateman, que era vanguarda para sua época, tinha uma “falha fatal”, segundo Patricia.

Imagine o filho de uma mãe com asa curva e um pai sem olhos. O filho tem uma chance igual de ter, ou ambas as mutações, apenas a mutação do pai, apenas a mutação da mãe, ou nenhuma mutação – 25% cada uma.

Para saber quem acasalou com quem, Bateman usou somente os descendentes com duas mutações, porque eram os únicos que ele conseguia identificar especificamente quem eram a mãe e o pai.

Mas, ao contar apenas a progênie com duas mutações, Bateman ficou com uma amostra enviesada, afirma Patricia.

Ao repetir o experimento de Bateman, ela e seus colegas descobriram que as moscas com duas mutações graves têm menor probabilidade de sobreviver até a idade adulta.

As moscas-da-fruta usam suas asas não só para voar, mas também para cantar durante a corte, razão pela qual asas onduladas apresentam uma enorme desvantagem. Indivíduos com olhos deformados têm ainda mais dificuldade para sobreviver.

Assim, os 25% dos filhotes nascidos com ambas as mutações tinham muito mais probabilidade de morrer antes de serem contadas por Bateman ou por Patricia.

“Não é surpreendente que os filhotes morriam como moscas quando tinham uma mutação dramática da mãe e outra mutação dramática do pai”, disse ela.

Conclusão insustentável

Patricia descobriu que a fração duplo mutante da descendência ficou significativamente abaixo dos 25% esperados, o que significa que Bateman não conseguiria quantificar com precisão o número de acasalamentos para cada sujeito adulto.

Mais ainda, sua metodologia resultou em mais descendentes sendo atribuídos aos pais do que às mães, algo que é impossível, já que cada filho deve ter um pai e uma mãe.

Bateman concluiu que as moscas-da-fruta machos produzem descendentes mais viáveis quando têm várias companheiras, mas que as fêmeas produzem o mesmo número de filhos adultos, tenham elas um companheiro só ou muitos.

Mas Patricia e seus colegas, ao realizar a mesma experiência, descobriram que os dados eram decididamente inconclusivos.

Ou seja, a conclusão de Bateman não tem sustentação nos dados.

Viés moralista

Na repetição – e possivelmente no estudo original de Bateman – os dados não validam a premissa fundamental de atribuição de parentesco genético.

No entanto, os números de Bateman são apresentados em inúmeros livros de biologia, e o estudo e suas conclusões incorretas serviram de base para mais de 2.000 outros estudos científicos.

“Aqui está um artigo científico clássico que foi lido por legiões de estudantes, qualquer um dos quais é competente o suficiente para ver este erro”, disse Patricia.

“Nossas visões de mundo restringem nossa imaginação,” diz ela. “Para algumas pessoas, o resultado de Bateman foi tão confortante que não valia a pena desafiá-lo. Acho que as pessoas simplesmente aceitaram,” completa ela, referindo-se à consideração cultural e moralista de que homens podem ser promíscuos, mas mulheres não.

Estudo clássico da teoria da evolução está errado
Recentemente, cientistas defenderam a sobrevivência do mais bondoso, em contraste com o “cada um por si” de muitas interpretações da teoria da evolução pela seleção natural. [Imagem: Wikimedia]

Defesa de Darwin

Os biólogos que estudam a seleção sexual analisam os hábitos de acasalamento de organismos que vão das moscas-da-fruta aos gorilas, tanto no laboratório quanto na natureza, a fim de compreender melhor como determinadas características ou comportamentos conferem vantagens evolutivas.

A seleção sexual surgiu como disciplina depois que Charles Darwin publicou o livro “A Descendência do Homem e a Seleção em Relação ao Sexo”, considerado a defesa de Darwin contra os críticos de sua teoria da evolução pela seleção natural.

Darwin, e mais tarde Bateman, apegou-se à noção de que as fêmeas de uma espécie tendem a ser exigentes e passivas, enquanto os machos muito mais promíscuos competiam por suas atenções.

 

 

Fonte:diariodasaude

 

Nas últimas décadas, no entanto, os biólogos evolucionários têm mostrado que a história é muito mais complicada.

Doença, o maior predador

Patricia descreve os benefícios de ter vários companheiros como uma resposta à luta evolucionária interminável contra o que pode ser o maior predador do mundo: a doença.

“Nossos agentes patogênicos têm tempos de geração muito mais curtos do que nós como hospedeiros, e evoluem formas de ataque muito mais rapidamente do que podemos evoluir nossas defesas,” disse ela. “Uma das regras da natureza é que os nossos agentes patogênicos vão nos pegar.”

Nessa guerra, travada com as doenças como armas, os organismos que produzem descendentes de múltiplos companheiros são mais propensos a produzir alguns filhotes com os anticorpos certos para sobreviver à próxima geração de vírus, bactérias e parasitas.

Os machos da mosca-da-fruta são propensos a dar às fêmeas a variação adicional no genoma que elas precisam para gerar sistemas imunológicos fortes em seus filhos, defende Patricia.

Para ela, existem muitas questões em aberto quando se trata de hábitos de acasalamento do sexo feminino, quer em moscas-das-frutas ou em qualquer outro organismo.

Assim, chacoalhar os alicerces do paradigma de Bateman pode ajudar a disciplina a examinar novas perspectivas.

“Paradigmas são como cola, eles limitam o que você pode ver,” disse ela. “É como estar preso no lodo – é difícil levantar o pé e dar um passo em uma nova direção.”

Fonte:diariodasaude

Um comentário a “Cientista afirmam estudo clássico da teoria da evolução está errado”

  1. Frederico Feroli diz:

    Baseado num texto do Stuart Wolpert, pelas postagens logo logo o caixa de pandora ta virando site evangélico, triste isso …

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